terça-feira, 1 de abril de 2014

DIÁRIO DE LEITURA: PARA GUARDAR REFLEXIVAMENTE O LIDO

SUGESTÕES PARA ELABORAÇÃO DE UM DIÁRIO REFLEXIVO DE LEITURAS

Anna Rachel Machado

Observação importante:
Essas instruções deverão ser seguidas em todas as leituras propostas, mas o diário, na sua completude, não vai ser tornado público e poderá não ser entregue ao professor na sua totalidade.
Ele é um instrumento para seu uso exclusivo, num primeiro momento.
Se precisar de mais informações ou quiser compreender melhor a função desse instrumento de leitura, você pode consultar o livro: MACHADO, A. R. O diário de leituras: a introdução de um novo instrumento na escola. São Paulo: Martins Fontes, 1998[1].

Veja os passos a seguir:

1. Antes de ler o texto:
-veja capa e contracapa, o título do livro/artigo, o nome do autor, os capítulos/subtítulos, data de publicação original e atual, local da publicação original e atual;
-passe os olhos pelo texto, pela bibliografia, pelas ilustrações,
-e tente prever:
            a) qual o contexto, a problemática geral do problema abordado;
            b) qual será o problema discutido dentro dessa problemática;
            c) sob qual abordagem científica (teoria e metodologias abordadas) será discutido;
            d) qual será a tese defendida pelo autor;
            e) quais serão os argumentos básicos;
             f) quais são os conceitos básicos que o autor utilizará; 
            g) qual será o estilo e a organização global o texto.

2. Enquanto for lendo (desde o título), vá escrevendo, com frases completas e da forma mais livre possível, como num verdadeiro diário pessoal, sem preocupação com acertos e erros, seguindo as seguintes orientações:
-dialogue com o autor: concorde ou discorde de seus posicionamentos; dê seu julgamento pessoal sobre o conteúdo e sobre a forma; pergunte, peça esclarecimentos etc.;
-relacione qualquer conteúdo (ou estilo, forma) do texto com outros textos escritos que você tenha lido, com filmes, com peças de teatro, com aulas/palestras a que tenha assistido, a qualquer situação profissional ou privada que tenha vivido etc.;
-procure verificar em que o texto pode contribuir para seu aprendizado/desenvolvimento científico ou pessoal, para o desenvolvimento de sua prática de leitura e de produção, para sua pesquisa, para o trabalho didático que você realiza/vai realizar etc.;
-registre as dificuldades de leitura que encontrar, as dúvidas, os trechos que não compreende;
-observe e anote quais são as informações do texto que são novas para você ou que podem modificar a sua forma de agir e/ou de pensar sobre a questão que ele discute;
-registre as idéias que o autor coloca como sendo as mais importantes, a(s) tese(s) defendida(s) e os argumento(s) que a(s) sustentam. Quanto mais importantes, maior a necessidade de registrá-las integralmente, com citação direta, de acordo com as normas científicas;
-levante quaisquer questões que queira discutir na aula com seu professor e seus colegas, mesmo que você ache que os outros vão achá-las simples demais ou desnecessárias.

Procure sempre justificar as suas afirmações e julgamentos.

3. Após a leitura global do texto e a primeira elaboração do seu diário, reelabore-o da forma como quiser, mas pensando que ele pode ser lido/discutido por/com seus colegas e com o professor. Não lhe retire o tom pessoal, mas também não se esqueça de reavaliar suas posições iniciais, de acordo com a instrução 1, apresentando de forma clara os conceitos do autor, sua tese e seus argumentos.

Importante: O diário deve ser visto como um diálogo. Portanto, não se empolgue com o que vai relacionando do texto com a sua vivência, falando só dela e correndo o risco de deixar o texto de lado. Como em uma conversa, não se pode tomar a palavra por um tempo indefinido, deixando o outro de lado.     




A fim de melhor compreender esse tipo de produção, leia alguns exemplos de diários de leitura feitos por alguns estudantes a respeito dos livros que estavam lendo.

Exemplo 1 – Reflexão sobre o processo de leitura
(...) Tá lido. Acho que o processo de leitura é assim também... a gente lê uma coisas, fica de greve delas, passa a ler outras, descobre outras coisas, inclusive que a gente vai ficar chato demais se só ler aquilo, aí volta a ler outras coisas e outras e mais outras. É como ler um livro, a gente lê e a leitura continua mesmo depois de finda, na livraria, nas conversas, na aula, no sonho. E afinal, o que é a vida da gente, se não uma leitura que mesmo depois de acabada continua na boca dos outros, até que acaba sendo esquecida... deixada de lado... e surge um dia de novo, num álbum velho de fotografias para ser lida novamente, de outra forma, por outros olhos... (...) (L.)

Exemplo 2 – Busca de objetivos para a leitura
A partir da leitura do segundo texto, passei a tentar descobrir o que os dois possuiriam  de comum. Afinal de contas, por que lemos esses dois textos? (M.)

Exemplo 3 – Reflexão sobre as dificuldades com a leitura e tentativa de compreender suas causas    
Respirei fundo algumas vezes antes de começar a ler esse texto. Por que o medo? De Umberto Eco, famoso escritor italiano por sua profundidade de pensamentos. Ou seja, percebi que me esperava um texto difícil (E.3).

Exemplo 4 – Expressão de dúvidas diante da leitura
...por que 'dénouement'? O que isto significa? (D.9) 

*Adaptado de MACHADO, Anna Rachel et al. Resenha. São Paulo: Parábola Editorial, 2004. p. 63-64.



[1]Para saber mais, consulte a obraTrabalhos de pesquisa: diários de leitura para a revisão bibliográfica de Anna Rachel Machado [coord.];Lília Santos Abreu-Tardelli e Eliane Lousada, 2007.

2 comentários:

  1. Gostei da ideia. è uma forma descontraída de fazer registros importantes os quais, mais tarde, poderão ser mediados e relacionados a outros conhecimentos adquiridos.

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  2. Correção: ..É uma forma de... kkkkk

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