segunda-feira, 12 de maio de 2014

ENCONTRO DE 9 DE MAIO

Os professores se reuniram, na prefeitura, na última sexta-feira, para a discussão a respeito de dois tópicos fundamentais para guiar tanto a prática docente quanto as diretrizes: o objeto e os objetivos de Língua Portuguesa.

As discussões tiveram como base os seguintes textos:
GERALDI, J. W. Concepções de linguagem e ensino de Português. IN: _____. (org.) O texto na sala de aula. 2. ed. São Paulo: Ática, 1999. p. 39-56.
Concepções de linguagem e análise linguística: diagnóstico para propostas de intervenção de Alba Maria PERFEITO (Universidade Estadual de Londrina).


A participação foi muito boa, pois todos haviam lido o texto e levantaram questões além das propostas na atividade de estudo.


Como atividade a ser enviada até o dia 19 de maio, ficou a produção de um estudo a qual já estava delineada no roteiro de estudo:

"Para isso, selecione os aspectos mais relevantes de suas leituras, de nossos encontros, de suas reflexões e práticas e produza um texto que consiga atender a estes dois tópicos: 1) identificação do objeto de estudo (considere o que Geraldi apresenta acerca da metodologia e demais elementos para definir o que está no centro do processo de aprendizagem); 2) contexto da área de língua portuguesa dentro das antigas e atuais discussões curriculares (Qual a função social da escola? Quais os desafios que se apresentam? Que aluno queremos formar nessa escola?)."
Então, cada professor, partindo de suas leituras e vivências irá delimitar o objeto e os objetivos os quais serão, posteriormente, socializados entre todos.
Mãos à obra!



Teste de leitura em voz alta (SCLIAR-CABRAL, 2003)


ESTE MATERIAL É PARA TESTAR A LEITURA EM VOZ ALTA DOS ALUNOS E FAZ PARTE DA BATERIA DE TESTED DE RECEPÇÃO E PRODUÇÃO DA LÍNGUA PORTUGUESA DE SCLIAR-CABRAL (2003)




SITUAÇÃO: O teste é individual. O aplicador já deverá vir com o texto, apresentando-o ao indivíduo. A leitura deve, de preferência, ser gravada.
COMANDO: Por favor, leia (lê) o que está escrito. 

MATERIAL TEXTO:
O TATU ENCABULADO

Era uma vez um tatu que morava numa toca.
Ele era muito encabulado e ficava escondido na toca.
O sapo e o macaco resolveram convidar o tatu.
- Tatu, por que você não vem brincar com a gente? Nós vamos brincar de bolinha de gude. Você quer?
- Ah! Mas os meus dedos são muito pequenos – disse o tatu.
- Não faz mal! Você também pode jogar com o rabo.
E lá foram os três jogar bolinha de gude. Assim o tatu saiu da toca e ficaram amigos.

FOLHA DE ANOTAÇÃO: Anotar em baixo das quadrículas, quantas vezes o indivíduo cometeu a ocorrência, em cada frase. Nas observações, anotar se fez leitura expressiva ou monocórdia.

São observados também os seguintes aspectos:
D (duração);
PS (pausas silenciosas);
PP (pausas plenas);
RS (rupturas do sândi externo);
In (palavras incompletas);
RR (repetição de sílabas);
D (distorções);
A (adivinhações); 
R (repetições);
MP (marcas de pontuação desrespeitadas).

segunda-feira, 14 de abril de 2014

Palavras e teorias para nossa compreensão


Já iniciamos nossa discussão em nosso último encontro. Agora é ler, refletir, reler e iniciar anotações sobre as palavras-chave de nosso próximo encontro. Até lá!!!


Oralidade

Interdisciplinaridade

Escrita

Leitura

Letramento

Enunciação

Análise linguística

Sequência didática

Projeto didático

Projeto de letramento

Agência de letramento

Gênero do discurso

Campo discursivo

terça-feira, 1 de abril de 2014

DIÁRIO DE LEITURA: PARA GUARDAR REFLEXIVAMENTE O LIDO

SUGESTÕES PARA ELABORAÇÃO DE UM DIÁRIO REFLEXIVO DE LEITURAS

Anna Rachel Machado

Observação importante:
Essas instruções deverão ser seguidas em todas as leituras propostas, mas o diário, na sua completude, não vai ser tornado público e poderá não ser entregue ao professor na sua totalidade.
Ele é um instrumento para seu uso exclusivo, num primeiro momento.
Se precisar de mais informações ou quiser compreender melhor a função desse instrumento de leitura, você pode consultar o livro: MACHADO, A. R. O diário de leituras: a introdução de um novo instrumento na escola. São Paulo: Martins Fontes, 1998[1].

Veja os passos a seguir:

1. Antes de ler o texto:
-veja capa e contracapa, o título do livro/artigo, o nome do autor, os capítulos/subtítulos, data de publicação original e atual, local da publicação original e atual;
-passe os olhos pelo texto, pela bibliografia, pelas ilustrações,
-e tente prever:
            a) qual o contexto, a problemática geral do problema abordado;
            b) qual será o problema discutido dentro dessa problemática;
            c) sob qual abordagem científica (teoria e metodologias abordadas) será discutido;
            d) qual será a tese defendida pelo autor;
            e) quais serão os argumentos básicos;
             f) quais são os conceitos básicos que o autor utilizará; 
            g) qual será o estilo e a organização global o texto.

2. Enquanto for lendo (desde o título), vá escrevendo, com frases completas e da forma mais livre possível, como num verdadeiro diário pessoal, sem preocupação com acertos e erros, seguindo as seguintes orientações:
-dialogue com o autor: concorde ou discorde de seus posicionamentos; dê seu julgamento pessoal sobre o conteúdo e sobre a forma; pergunte, peça esclarecimentos etc.;
-relacione qualquer conteúdo (ou estilo, forma) do texto com outros textos escritos que você tenha lido, com filmes, com peças de teatro, com aulas/palestras a que tenha assistido, a qualquer situação profissional ou privada que tenha vivido etc.;
-procure verificar em que o texto pode contribuir para seu aprendizado/desenvolvimento científico ou pessoal, para o desenvolvimento de sua prática de leitura e de produção, para sua pesquisa, para o trabalho didático que você realiza/vai realizar etc.;
-registre as dificuldades de leitura que encontrar, as dúvidas, os trechos que não compreende;
-observe e anote quais são as informações do texto que são novas para você ou que podem modificar a sua forma de agir e/ou de pensar sobre a questão que ele discute;
-registre as idéias que o autor coloca como sendo as mais importantes, a(s) tese(s) defendida(s) e os argumento(s) que a(s) sustentam. Quanto mais importantes, maior a necessidade de registrá-las integralmente, com citação direta, de acordo com as normas científicas;
-levante quaisquer questões que queira discutir na aula com seu professor e seus colegas, mesmo que você ache que os outros vão achá-las simples demais ou desnecessárias.

Procure sempre justificar as suas afirmações e julgamentos.

3. Após a leitura global do texto e a primeira elaboração do seu diário, reelabore-o da forma como quiser, mas pensando que ele pode ser lido/discutido por/com seus colegas e com o professor. Não lhe retire o tom pessoal, mas também não se esqueça de reavaliar suas posições iniciais, de acordo com a instrução 1, apresentando de forma clara os conceitos do autor, sua tese e seus argumentos.

Importante: O diário deve ser visto como um diálogo. Portanto, não se empolgue com o que vai relacionando do texto com a sua vivência, falando só dela e correndo o risco de deixar o texto de lado. Como em uma conversa, não se pode tomar a palavra por um tempo indefinido, deixando o outro de lado.     




A fim de melhor compreender esse tipo de produção, leia alguns exemplos de diários de leitura feitos por alguns estudantes a respeito dos livros que estavam lendo.

Exemplo 1 – Reflexão sobre o processo de leitura
(...) Tá lido. Acho que o processo de leitura é assim também... a gente lê uma coisas, fica de greve delas, passa a ler outras, descobre outras coisas, inclusive que a gente vai ficar chato demais se só ler aquilo, aí volta a ler outras coisas e outras e mais outras. É como ler um livro, a gente lê e a leitura continua mesmo depois de finda, na livraria, nas conversas, na aula, no sonho. E afinal, o que é a vida da gente, se não uma leitura que mesmo depois de acabada continua na boca dos outros, até que acaba sendo esquecida... deixada de lado... e surge um dia de novo, num álbum velho de fotografias para ser lida novamente, de outra forma, por outros olhos... (...) (L.)

Exemplo 2 – Busca de objetivos para a leitura
A partir da leitura do segundo texto, passei a tentar descobrir o que os dois possuiriam  de comum. Afinal de contas, por que lemos esses dois textos? (M.)

Exemplo 3 – Reflexão sobre as dificuldades com a leitura e tentativa de compreender suas causas    
Respirei fundo algumas vezes antes de começar a ler esse texto. Por que o medo? De Umberto Eco, famoso escritor italiano por sua profundidade de pensamentos. Ou seja, percebi que me esperava um texto difícil (E.3).

Exemplo 4 – Expressão de dúvidas diante da leitura
...por que 'dénouement'? O que isto significa? (D.9) 

*Adaptado de MACHADO, Anna Rachel et al. Resenha. São Paulo: Parábola Editorial, 2004. p. 63-64.



[1]Para saber mais, consulte a obraTrabalhos de pesquisa: diários de leitura para a revisão bibliográfica de Anna Rachel Machado [coord.];Lília Santos Abreu-Tardelli e Eliane Lousada, 2007.

A POSIÇÃO DOS PCNs DE LÍNGUA PORTUGUESA: UM RETORNO AO TEXTO OFICIAL

Aprender e ensinar Língua Portuguesa na escola[1]

VARIÁVEIS DO ENSINO-APRENDIZAGEM

Pode-se considerar o ensino e a aprendizagem de Língua Portuguesa, como prática pedagógica, resultantes da articulação de três variáveis[2] : o aluno; os conhecimentos com os quais se opera nas práticas de linguagem; a mediação do professor.
O primeiro elemento dessa tríade o aluno é o sujeito da ação de aprender, aquele que age com e sobre o objeto de conhecimento. O segundo elemento o objeto de conhecimento são os conhecimentos discursivo-textuais e lingüísticos implicados nas práticas sociais de linguagem. O terceiro elemento da tríade é a prática educacional do professor e da escola que organiza a mediação entre sujeito e objeto do conhecimento.
O objeto de ensino e, portanto, de aprendizagem é o conhecimento lingüístico e discursivo com o qual o sujeito opera ao participar das práticas sociais mediadas pela linguagem. Organizar situações de aprendizado, nessa perspectiva, supõe: planejar situações de interação nas quais esses conhecimentos sejam construídos e/ou tematizados; organizar atividades que procurem recriar na sala de aula situações enunciativas de outros espaços que não o escolar, considerando-se sua especificidade e a inevitável transposição didática que o conteúdo sofrerá; saber que a escola é um espaço de interação social onde práticas sociais de linguagem acontecem e se circunstanciam, assumindo características bastante específicas em função de sua finalidade: o ensino.
Ao professor cabe planejar, implementar e dirigir as atividades didáticas, com o objetivo de desencadear, apoiar e orientar o esforço de ação e reflexão do aluno, procurando garantir aprendizagem efetiva. Cabe também assumir o papel de informante e de interlocutor privilegiado, que tematiza aspectos prioritários em função das necessidades dos alunos e de suas possibilidades de aprendizagem.

CONDIÇÕES PARA O TRATAMENTO DO OBJETO DE ENSINO: O TEXTO COMO UNIDADE E A DIVERSIDADE DE GÊNEROS

Toda educação comprometida com o exercício da cidadania precisa criar condições para que o aluno possa desenvolver sua competência discursiva[3] .
Um dos aspectos da competência discursiva é o sujeito ser capaz de utilizar a língua de modo variado, para produzir diferentes efeitos de sentido e adequar o texto a diferentes situações de interlocução oral e escrita. É o que aqui se chama de competência lingüística[4] e estilística[5]. Isso, por um lado, coloca em evidência as virtualidades das línguas humanas: o fato de que são instrumentos flexíveis que permitem referir o mundo de diferentes formas e perspectivas; por outro lado, adverte contra uma concepção de língua como sistema homogêneo, dominado ativa e passivamente por toda a comunidade que o utiliza. Sobre o desenvolvimento da competência discursiva, deve a escola organizar as atividades curriculares relativas ao ensino-aprendizagem da língua e da linguagem.
A importância e o valor dos usos da linguagem são determinados historicamente segundo as demandas sociais de cada momento. Atualmente, exigem-se níveis de leitura e de escrita diferentes dos que satisfizeram as demandas sociais até há bem pouco tempo e tudo indica que essa exigência tende a ser crescente. A necessidade de atender a essa demanda, obriga à revisão substantiva dos métodos de ensino e à constituição de práticas que possibilitem ao aluno ampliar sua competência discursiva na interlocução.
Nessa perspectiva, não é possível tomar como unidades básicas do processo de ensino as que decorrem de uma análise de estratos letras/fonemas, sílabas, palavras, sintagmas, frases que, descontextualizados, são normalmente tomados como exemplos de estudo gramatical e pouco têm a ver com a competência discursiva. Dentro desse marco, a unidade básica do ensino só pode ser o texto.
Os textos organizam-se sempre dentro de certas restrições de natureza temática, composicional e estilística, que os caracterizam como pertencentes a este ou aquele gênero. Desse modo, a noção de gênero, constitutiva do texto, precisa ser tomada como objeto de ensino.
Nessa perspectiva, necessário contemplar, nas atividades de ensino, a diversidade de textos e gêneros, e não apenas em função de sua relevância social, mas também pelo fato de que textos pertencentes a diferentes gêneros são organizados de diferentes formas.
A compreensão oral e escrita, bem como a produção oral e escrita de textos pertencentes a diversos gêneros, supõem o desenvolvimento de diversas capacidades que devem ser enfocadas nas situações de ensino. É preciso abandonar a crença na existência de um gênero prototípico que permitiria ensinar todos os gêneros em circulação social.




[1] PCNs de Língua Portuguesa – 5.ª a 8.ª séries
[2] Para aprofundamento das relações professor/aluno/conhecimento, consultar Introdução aos Parâmetros Curriculares Nacionais
[3] Competência discursiva refere-se a um "sistema de contratos semânticos" responsável por uma espécie de "filtragem" que opera os conteúdos em dois domínios interligados que caracterizam o dizível: o universo intertextual e os dispositivos estilísticos acessíveis à enunciação dos diversos discursos.
[4] Competência lingüística refere-se aos saberes que o falante/intérprete possui sobre a língua de sua comunidade e utiliza para construção das expressões que compõem os seus textos, orais e escritos, formais ou informais, independentemente de norma padrão, escolar ou culta.
[5]  Competência estilística é a capacidade de o sujeito escolher, dentre os recursos expressivos da língua, os que mais convêm às condições de produção, à destinação, finalidades e objetivos do texto e ao gênero e suporte.

segunda-feira, 31 de março de 2014

Para refletir...


GRAMÁTICA: A COMPREENSÃO DOS PROFESSORES




GRAMÁTICA: Como Luis Fernando Veríssimo diz em O Gigolô das Palavras, a gramática é o esqueleto de um corpo chamado língua; ou seja, é toda estrutura dela e partindo dela, ramificam-se linguagem, sintaxe, morfologia com se fossem membros desse corpo.

É o estudo sistematizado da língua a fim de compreendê-la, estruturá-la, regê-la, normatizá-la. Não é só um mecanismo de prescrição, mas a consolidação do código.

... seria, como falado na aula, o esqueleto da língua, no caso, a língua portuguesa do Brasil. É a base para os estudos acerca desta. À medida que se domina a gramática a língua começa a tomar forma, ou seja, adquire-se o conhecimento necessário para dar corpo a esse esqueleto, através da leitura e escrita com excelência.

Gramática é um conjunto de normas que rege o uso dessa língua e que pode ser mais ou menos rígido de acordo com a linguagem que usamos.

A escrita foi um instrumento descoberto tardiamente na história humana. Como qualquer instrumento, ela pôde ser aperfeiçoada por uma arte. Esta arte é a Gramática, que pode, por sua vez, ser assim definida: gramática é a arte diretiva da escrita para que esta atinja seus devidos fins, a saber: em primeiro lugar, significar as palavras orais e, em segundo, significar as idéias presentes em nossa inteligência.


... essencial para se conhecer o funcionamento das estruturas de um texto, falado ou não.

sexta-feira, 28 de março de 2014

LÍNGUA: compreensões sobre este conceito

COM A PALAVRA OS PROFESSORES:

1. LÍNGUA: É um corpo. Um corpo vivo. Fruto da comunicação, do diálogo. Um diálogo de gente pra gente, de emoção pra emoção como disse Janete Clair, já que a gramática é o esqueleto desse corpo. Até quando estamos calados, produzimos essa língua, seja qual for seu idioma através de nossos pensamentos.  

2. É o conjunto de palavras utilizado num determinado espaço geográfico e temporal, que os falantes utilizam e exploram em suas práticas orais ou escritas. A convenção social que permite a comunicação verbal.

3. ...é o conjunto de códigos e regras combinatórias de palavras que permitem a comunicação entre as pessoas.

4. Língua é um sistema de códigos que usamos para nos comunicar, um idioma.

5. Sendo animal racional, só o homem é capaz de, por abstração dos sensíveis, atingir as idéias inteligíveis. Por ser assim, tudo no homem se ordena à inteligência. Mas qual a relação entre língua e inteligência? Aristóteles parecer ter resolvido o problema: segundo o Estagirita, a idéia inteligível é igual para todos os homens. Por exemplo, a idéia “cão” é a mesma na mente de todos os homens. Ora, quando eu quero fazer referência à idéia de cão que está em minha mente, eu me sirvo de uma expressão oral. Essa expressão oral varia conforme a língua. A escrita, por sua vez, significa o som proferido oralmente. Podemos, pois, segundo o que foi dito, definir a língua do seguinte modo: a língua escrita é signo da língua falada, que é signo das idéias inteligíveis, que são como que imagens das coisas reais.

6. ...é a herança cultural de um povo, sua identificação e código de acesso ao outro diante de um diálogo.

7. O que vem à mente, de imediato é o idioma.

E VOCÊ? QUAL A SUA COMPREENSÃO?

terça-feira, 25 de março de 2014

Nossa crônica de inspiração para ler e reler




O gigolô das palavras

Luís Fernando Veríssimo


Quatro ou cinco grupos diferentes de alunos do Farroupilha estiveram lá em casa numa mesma missão, designada por seu professor de Português: saber se eu considerava o estudo da Gramática indispensável para aprender e usar a nossa ou qualquer outra língua. Cada grupo portava seu gravador cassete, certamente o instrumento vital da pedagogia moderna, e andava arrecadando opiniões. Suspeitei de saída que o tal professor lia esta coluna, se descabelava diariamente com suas afrontas às leis da língua, e aproveitava aquela oportunidade para me desmascarar. Já estava até preparando, às pressas, minha defesa ("Culpa da revisão! Culpa da revisão!"). Mas os alunos desfizeram o equívoco antes que ele se criasse. Eles mesmos tinham escolhido os nomes a serem entrevistados. Vocês têm certeza que não pegaram o Veríssimo errado? Não. Então vamos em frente.
Respondi que a linguagem, qualquer linguagem, é um meio de comunicação e que deve ser julgada exclusivamente como tal. Respeitadas algumas regras básicas da Gramática, para evitar os vexames mais gritantes, as outras são dispensáveis. A sintaxe é uma questão de uso, não de princípios. Escrever bem é escrever claro, não necessariamente certo. Por exemplo: dizer "escrever claro" não é certo, mas é claro, certo? O importante é comunicar. (E quando possível surpreender, iluminar, divertir, mover... Mas aí entramos na área do talento, que também não tem nada a ver com Gramática.) A Gramática é o esqueleto da língua. Só predomina nas línguas mortas, e aí é de interesse restrito a necrólogos e professores de Latim, gente em geral pouco comunicativa. Aquela sombria gravidade que a gente nota nas fotografias em grupo dos membros da Academia Brasileira de Letras é de reprovação pelo Português ainda estar vivo. Eles só estão esperando, fardados, que o Português morra para poderem carregar o caixão e escrever sua autópsia definitiva. É o esqueleto que nos traz de pé, certo, mas ele não informa nada, como a Gramática é a estrutura da língua, mas sozinha não diz nada, não tem futuro. As múmias conversam entre si em Gramática pura.
Claro que eu não disse isso tudo para meus entrevistadores. E adverti que minha implicância com a Gramática na certa se devia à minha pouca intimidade com ela. Sempre fui péssimo em Português. Mas - isso eu disse - vejam vocês, a intimidade com a Gramática é tão indispensável que eu ganho a vida escrevendo, apesar da minha total inocência na matéria. Sou um gigolô das palavras. Vivo às suas custas. E tenho com elas exemplar conduta de um cáften profissional. Abuso delas. Só uso as que eu conheço, as desconhecidas são perigosas e potencialmente traiçoeiras. Exijo submissão. Não raro, peço delas flexões inomináveis para satisfazer um gosto passageiro. Maltrato-as, sem dúvida. E jamais me deixo dominar por elas. Não me meto na sua vida particular. Não me interessa seu passado, suas origens, sua família nem o que outros já fizeram com elas. Se bem que não tenho o mínimo escrúpulo em roubá-las de outro, quando acho que vou ganhar com isto. As palavras, afinal, vivem na boca do povo. São faladíssimas. Algumas são de baixíssimo calão. Não merecem o mínimo respeito.
Um escritor que passasse a respeitar a intimidade gramatical das suas palavras seria tão ineficiente quanto um gigolô que se apaixonasse pelo seu plantel. Acabaria tratando-as com a deferência de um namorado ou a tediosa formalidade de um marido. A palavra seria a sua patroa! Com que cuidados, com que temores e obséquios ele consentiria em sair com elas em público, alvo da impiedosa atenção dos lexicógrafos, etimologistas e colegas. Acabaria impotente, incapaz de uma conjunção. A Gramática precisa apanhar todos os dias pra saber quem é que manda.

Linguagem: algumas compreensões

DEPOIS DE UMA REFLEXÃO INDIVIDUAL SOBRE LINGUAGEM, CADA PROFESSOR TEXTUALIZOU A SUA COMPREENSÃO PARA QUE POSSAM CONHECER AS APROXIMAÇÕES, INCOMPLETUDES E DISTANCIAMENTOS. CABE A CADA UM LER E REFLETIR PARA DEPOIS SOMARMOS.

Se a língua é um corpo, tendo a gramática como seu esqueleto; a linguagem é a roupa que esse corpo veste. Como sempre vestimos cada estilo adequado a cada situação; também sempre usamos uma determinada linguagem também de acordo com cada situação. Com os amigos íntimos, num bar, sábado à noite, falamos de um determinado jeito que não é a mesma maneira de como falamos com nossos pais em nossas respectivas e humildes residências.

 É a comunicação que se estabelece com outrem através de sons, formas, cores, gestos, ou expressões a fim de transmitir uma mensagem ou estabelecer contato.pode ser verbal (escrita ou falada) ou não verbal (música, pintura, mímica, libras, etc.), dependendo da situação discursiva e dos signos escolhidos ou à disposição.

...são as diferentes maneiras de comunicação.  Pode-se citar a linguagem verbal (escrita ou falada), a linguagem não verbal (imagens, ações, música, etc.) e a linguagem mista (verbal e não verbal).

... é a forma como usamos essa língua, de acordo com a situação comunicativa em que nos encontramos.

... é a capacidade de, através de signos, apontar para diversas coisas. A linguagem é comum a todos os animais, especialmente os que vivem em sociedade. O homem, por ser animal, possui uma linguagem animal – como os gestos, as expressões faciais etc. Contudo, o homem, não sendo apenas animal, mas também racional, tem uma linguagem própria que os outros animais não têm: a língua.

... é toda a forma de comunicação verbal ou não verbal, podemos citar a própria fala e a Libras como as principais formas de linguagem; depois vem as sinalizações, os gestos, as roupas, as cores e os variados tipos de símbolos.