SUGESTÕES
PARA ELABORAÇÃO DE UM DIÁRIO REFLEXIVO DE LEITURAS
Anna Rachel
Machado
Observação importante:
Essas instruções deverão ser seguidas
em todas as leituras propostas, mas o diário, na sua completude, não vai ser
tornado público e poderá não ser entregue ao professor na sua totalidade.
Ele é um instrumento para seu uso
exclusivo, num primeiro momento.
Se precisar de mais informações ou
quiser compreender melhor a função desse instrumento de leitura, você pode
consultar o livro: MACHADO, A. R. O diário de leituras: a introdução de
um novo instrumento na escola. São Paulo: Martins Fontes, 1998.
Veja os passos a seguir:
1. Antes de ler o texto:
-veja
capa e contracapa, o título do livro/artigo, o nome do autor, os
capítulos/subtítulos, data de publicação original e atual, local da publicação
original e atual;
-passe
os olhos pelo texto, pela bibliografia, pelas ilustrações,
-e
tente prever:
a)
qual o contexto, a problemática geral do problema abordado;
b)
qual será o problema discutido dentro dessa problemática;
c)
sob qual abordagem científica (teoria e metodologias abordadas) será discutido;
d)
qual será a tese defendida pelo autor;
e)
quais serão os argumentos básicos;
f) quais são os conceitos básicos que o autor
utilizará;
g)
qual será o estilo e a organização global o texto.
2. Enquanto for lendo
(desde o título), vá escrevendo, com frases completas e da forma mais livre
possível, como num verdadeiro diário pessoal, sem preocupação com acertos e
erros, seguindo as seguintes orientações:
-dialogue
com o autor: concorde ou discorde de seus posicionamentos; dê seu julgamento
pessoal sobre o conteúdo e sobre a forma; pergunte, peça esclarecimentos etc.;
-relacione
qualquer conteúdo (ou estilo, forma) do texto com outros textos escritos que você
tenha lido, com filmes, com peças de teatro, com aulas/palestras a que tenha
assistido, a qualquer situação profissional ou privada que tenha vivido etc.;
-procure
verificar em que o texto pode contribuir para seu aprendizado/desenvolvimento
científico ou pessoal, para o desenvolvimento de sua prática de leitura e de
produção, para sua pesquisa, para o trabalho didático que você realiza/vai
realizar etc.;
-registre
as dificuldades de leitura que encontrar, as dúvidas, os trechos que não
compreende;
-observe
e anote quais são as informações do texto que são novas para você ou que podem
modificar a sua forma de agir e/ou de pensar sobre a questão que ele discute;
-registre
as idéias que o autor coloca como sendo as mais importantes, a(s) tese(s)
defendida(s) e os argumento(s) que a(s) sustentam. Quanto mais importantes,
maior a necessidade de registrá-las integralmente, com citação direta, de
acordo com as normas científicas;
-levante
quaisquer questões que queira discutir na aula com seu professor e seus colegas,
mesmo que você ache que os outros vão achá-las simples demais ou
desnecessárias.
Procure sempre justificar as suas
afirmações e julgamentos.
3. Após a leitura global do texto e a
primeira elaboração do seu diário, reelabore-o da forma como quiser, mas
pensando que ele pode ser lido/discutido por/com seus colegas e com o
professor. Não lhe retire o tom pessoal, mas também não se esqueça de reavaliar
suas posições iniciais, de acordo com a instrução 1, apresentando de forma
clara os conceitos do autor, sua tese e seus argumentos.
Importante:
O diário deve ser visto como um diálogo. Portanto, não se empolgue com o que
vai relacionando do texto com a sua vivência, falando só dela e correndo o
risco de deixar o texto de lado. Como em uma conversa, não se pode tomar a
palavra por um tempo indefinido, deixando o outro de lado.
A fim de melhor
compreender esse tipo de produção, leia alguns exemplos de diários de leitura
feitos por alguns estudantes a respeito dos livros que estavam lendo.
Exemplo 1 –
Reflexão sobre o processo de leitura
(...) Tá lido.
Acho que o processo de leitura é assim também... a gente lê uma coisas, fica de
greve delas, passa a ler outras, descobre outras coisas, inclusive que a gente
vai ficar chato demais se só ler aquilo, aí volta a ler outras coisas e outras
e mais outras. É como ler um livro, a gente lê e a leitura continua mesmo
depois de finda, na livraria, nas conversas, na aula, no sonho. E afinal, o que
é a vida da gente, se não uma leitura que mesmo depois de acabada continua na
boca dos outros, até que acaba sendo esquecida... deixada de lado... e surge um
dia de novo, num álbum velho de fotografias para ser lida novamente, de outra
forma, por outros olhos... (...) (L.)
Exemplo 2 – Busca
de objetivos para a leitura
A partir da
leitura do segundo texto, passei a tentar descobrir o que os dois
possuiriam de comum. Afinal de contas,
por que lemos esses dois textos? (M.)
Exemplo 3 –
Reflexão sobre as dificuldades com a leitura e tentativa de compreender suas causas
Respirei fundo
algumas vezes antes de começar a ler esse texto. Por que o medo? De Umberto
Eco, famoso escritor italiano por sua profundidade de pensamentos. Ou seja,
percebi que me esperava um texto difícil (E.3).
Exemplo 4 –
Expressão de dúvidas diante da leitura
...por que
'dénouement'? O que isto significa? (D.9)
*Adaptado
de MACHADO, Anna Rachel et al. Resenha. São Paulo: Parábola Editorial,
2004. p. 63-64.